Você sabe com quem está falando? Ao ouvir isto sei que com alguém, no mínimo, deselegante

Olá pessoal. Bom, este texto que vou postar é da Célia Leão, colunista da revista Você SA. É um texto muito interessante, vale a pena vocês conhecerem.

Não, caros leitores, não tive nenhuma crise de amnésia. O título deste artigo é uma homenagem a algumas pessoas que ainda insistem em usar esse expediente. Acontecimentos recentes me fizeram escrever sobre o assunto, já que ética e etiqueta tem tudo a ver: não considero elegante quem não pauta todas as suas ações nos princípios mais elementares da ética. E muito menos quem usa hierarquia política ou social para usufruir privilégios que burlam as leis ou as normas sociais.
A história recente mostra que frutas podres caem sozinhas dos pés onde nasceram. Trocando em miúdos, todo poder baseado em falcatruas e falta de ética acaba de maneira bem vergonhosa para que o detém. Vamos aos fatos. No ano passado não consegui segurar minha língua quando, no intervalo de um treinamento que eu estava dando, um ouvinte veio até mim e perguntou se eu, por acaso, sabia de quem ele era filho. Na hora, dei o troco e disse a ele que me solidarizava com a situação, mas que ele ficasse tranquilo porque a medicina mais moderna a genética e exames de DNA poderiam esclarecer a dúvida que ele tinha. E saí, sem mais explicações. O rapaz não entendeu que, nese caso, o poder é do outro e, infelizmente, não se herda e nem é contagioso. Quem quiser seu quinhão na vida empresarial precisa batalahr para merecê-lo.
Da mesma forma sei de executivos que fazem uso de seus cargos para constranger e humilhar funcionários que estão a baixo na cadeia hierárquica. Algo errado na conduta da pessoa? Chame-a para uma conversa particular e diga tudo o que está incomodando. Fazer isso na frente de outras pessoas, além de deselegante, é abusar do poder que o cargo lhe confere.
Sabe aquele chefe que marca compromissos com a equipe e sempre chega atrasado? Para ele também vale a observação. A liderança, mais do que por normas e regulamentos, acontece pelo exemplo. Se o chefe acha que só porque é chefe pode deixar a equipe esperando, está dando a deixa para que todos façam a mesma coisa com seus pares de trabalho, clientes e fornecedores.
Pois é. Enquanto vivermos em uma sociedade em que as pessoas aceitem condutas antiéticas e deselegantes como essas que acabei de citar, de nada vale a roupa impecável, a bolsa de grife, carro importado. Mademoiselle Channel já dizia, sabaimente, que não é a roupa que faz você, você é quem faz a roupa que veste. Se quisermos ser efetivamente responsáveis pela nossa própria imagem e cultivar a elegância real, que vem de dentro para fora, é bom fazermos nossa parte contra a deselegância e descortesia que se baseia, entre outras coisas, no abuso do poder.
LEÃO, Célia. Etiqueta no trabalho. Você SA, São Paulo, p. 97, maio 2006.

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