Falando de amigo

Definitivamente achei o mapa da mina! Vocês não podem deixar de ler os contos no blog Loser. È um mais engraçado que o outro. Comédia de verdade, como eu não via a muito tempo!
Vai ai uma história para divulta o site.

Do lado esquerdo do peito

Pretendia impressionar a Renata e decidi levá-la a um restaurante chique. Acendi um charuto, pedi o prato mais caro da casa e conversei em francês com o garçom. Ele me disse:

- Monsieur, tem uma casquinha de feijon no seu dente.

Tudo bem, seu Pierre. Deu pra disfarçar. As coisas continuavam ótimas e meu peito cabeludo estufava a camisa. Mas aí apareceu esse homem baixinho, que chegou na nossa mesa perguntando:

- Ei, psiu... Tu não é aquele amigo do Longuete?
- Longuete? Não conheço.
- O Longuete da Lapa. Aquela figura doce que puxa os "esses" e sibila como uma serpente.
- Nunca ouvi falar.
- Jamais esqueço de uma cara. Você é amigo do Longuete sim. Vivia com ele. Andava com o Longuete pra cima e pra baixo. As pessoas te chamavam de "Estola" porque você estava sempre com os seus braços em volta do pescoço do Longuete.
- Olha, tô acompanhado aqui, certo? Dá o fora.

O baixinho se emputeceu e saiu fora. Renata ficara visivelmente incomodada com a história, mas o meu peito cabeludo falou mais alto. Jogos de olhares, troca de carícias, sedução. Tudo levava a crer que hoje eu me daria bem. Até o baixinho aparecer de novo, desta vez acompanhado de um homem alto e magro, com aspecto de lingüiça.

- Longuete, esse cara aí não é seu amigo?
- Sim, com certeza. Montamos uma companhia de teatro infantil juntos.
- Tá vendo, cacete?! Me chama de mentiroso agora. Chama, bosta!
- Calma, gente. Tá acontecendo uma confusão aqui.

Longuete veio na minha direção.

- Venha cá, Estola, ponha sua mão em volta do meu pescoço.
- Cara, sai daqui.
- Está com vergonha de mim? É isso?
- Porra! Eu não te conheço, você não é meu amigo.
- Não... Eu conheço você muito bem. Você tinha prisão de ventre e, por causa disso, precisava estocar supositórios de glicerina na sua casa. Passou gonorréia pra minha prima e ficou me devendo 50 mil cruzados. Mesmo assim ainda te considero amigo.

Renata limpa o beiço com o guardanapo e se levanta.

- Gente, não quero me intrometer no assunto de vocês... Eu vou me embora.

Longuete se manifesta.

- Olha, broto, tô com minha moto aí. Quer vir comigo?
- É uma.
- Então vamos... Valeu, amigo. Me liga, tá bem? Vamos marcar aquela pelada com o pessoal.
- Que pessoal, porra?? Que mané pessoal!? Renata, não... Longuete, volta aqui com ela.

Fiquei deprimido. Cheguei em casa e liguei para um conhecido meu que trabalhava em uma empresa de telefonia. Peguei com ele o telefone do Milton Nascimento.

- Alô, Seu Milton? Seguinte: pega a sua "Canção da América" e enfia no rabo!

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