A era do vazio

Vivemos mais do que nunca num mundo de pessoas desprovidas de um sentido para a sua vida, de uma luz que parecem nunca alcançar...
Porque será este sentimento de vazio tão frequente nas pessoas de hoje?
Estamos perante pessoas que investem mais do que nunca na sua imagem, no culto do corpo, verifica- se cada vez mais uma tendência nárcisica para compensar essa falha elementar do ego. Obviamente que todo e qualquer ser humano é resultado das interacções recíprocas entre si e a sociedade que o rodeia. Dado que este sentimento de vazio é transversal as sociedades ocidentais...impera-se uma análise mais alargada do fenómeno que tem a sua génese, não só, mas também nas sociedades ocidentais.
O individuo tem nas suas relações sociais primárias o contacto com a figura materna, mais tarde com o seu grupo de pares e assim por diante. O homem está intrincado de relações sociais desde sempre. Mesmo em fase intra- uterina até à sua morte é por excelencia uma peça no todo que constituí este xadrez social com todas as interações hierarquizadas, esteritipadas, mais ou menos definidas e aceites pelos actores sociais que a constituem.
A Sociedade está a mudar, os tempos são de transição como refere Boaventura de Sousa Santos, existe uma transição de paradigmas... na ciência, nos valores... Estes tempos de transição que se vivem causam obviamente angustia ao homem que se vê de certa maneira desancorado.
Nunca o homem investiu tanto em si, nunca investiu tanto na sua imagem, numa vida a sós, hoje as pessoas são muito mais individualistas, até mesmo nas relações, aliás há uma crise de valores, decorrente dessa crise de valores encontramos relações cada vez mais descartavéis, bem como um crescente descontentamento da sua propria vida nos mais variados domínios.
O homem tem desinvestido em si numa outra dimensão, na diemensão dos afectos, da partilha, do longo prazo em deterimento do aqui e do agora.
O Sujeito procura um prazer imediato, uma droga, uma pessoa, um afecto, alias ,um pseudo- afecto, na tentativa de colmatar o mau estar que carrega dentro de si e que de alguma forma lhe é reforçado positivamente e legitimado pelos meios de comunicação, pela sociedade em geral.
A comunicação social é sem dúvida uma grande responsável por isto, dá ao sujeito algum conteúdo que este julga ser o bem para todos os seus males e angustias, nem que para isso se banalizem coisas tão importantes como o conceito de amizade, sexo, amor. Neste sentido assistimos a uma sociedade que não está bem e como reflexo disso teremos também sujeitos não muito felizes... Não querendo ser interpretado como conservador, não direi que a sociedade de hoje é pior do que a que passou... simplesmente reflito em alguns aspectos que me parecem ser reflectidos... Para onde vamos sem sabermos? Corremos todos sem excepção, como um todo colectivo que somos, o risco de nos perdermos nesta busca patológica do narcisismo exarcerbado e superficial que só nos alimentará cada vez mais este vazio permanente, assim como se de uma droga se tratasse...
Nem tudo é mau vivemos também numa era de maior respeito por o ser humano, pela dignidade humana, mas a verdade e que essas declarações e convensões universais só farão sentido e só darão frutos se começarmos pelo respeito por cada um de nós, por nós próprios e pelos outros semelhantes.
© Carlos Veiga

A palavra escrita.

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1 comentários:

  Anônimo

7:01 PM

Olá, acabo de ler parte de um livro chamado A Era do vazio: ensaio sobre o individualismo contemporaneo. É dái que vem seu texto?, fiquei curiosa.
Se é, gostaria se possivel de uma informação.Como tenho apenas parte do livro, precisava saber em que cidade foi impresso, pois só assim poderei fazer referencia bibliografia. Obrigada. Rosana

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